A atuação combativa do Sindicato dos Servidores em Conselhos e Ordens de Fiscalização Profissional do Estado de Sergipe (Sindiscose) na defesa da transparência e da moralidade administrativa está enfrentando uma tentativa de criminalização por parte da gestão do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (CREA-SE). O presidente do sindicato, Igor Baima, foi intimado a prestar esclarecimentos na 1ª Delegacia Metropolitana de Aracaju no próximo dia 4 de maio de 2026. O inquérito foi instaurado a pedido de Dilson Luiz de Jesus Silva, presidente do CREA-SE, em uma clara reação à denúncia protocolada pelo sindicato sobre o uso particular e ilegal de um veículo institucional.
O veículo em questão, adquirido com recursos públicos pelo valor de R$ 224.990,00, tornou-se o centro de uma fiscalização do Sindiscose após ser identificado circulando totalmente descaracterizado, sem o Brasão da República ou a logomarca oficial do órgão, o que contraria as normas de identificação de bens públicos. Em vez de responder aos questionamentos sobre a legalidade do uso do automóvel, o gestor do CREA-SE optou por acionar o aparato policial, alegando que a divulgação das imagens e a fiscalização sindical configurariam crimes como difamação e perseguição.
A tentativa de inverter os papéis — transformando o denunciante em acusado — gerou uma imediata e forte reação do movimento sindical em todo o país. Oito entidades sindicais de diversas regiões do Brasil assinaram uma nota conjunta de repúdio, classificando a conduta de Dilson Luiz como autoritária, antissindical e um exemplo de lawfare. Os sindicatos SINSERCON-BA, SINDIFISC-MT, SINDSCOCE (CE), SINSERCON-RS, SINDICOPE (PE), SINDECOF-DF, SINSERCON-PB e SINDICOPA (PA) reforçaram que fiscalizar o uso do dinheiro público é um dever das entidades de classe e que não aceitarão o silenciamento de quem aponta desvios de finalidade na gestão pública.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços da CUT (Contracs-CUT) também se manifestou, reiterando que a tentativa de transformar a atuação sindical em caso de polícia é um ataque à democracia e à liberdade de organização. Apesar da pressão e da tentativa de intimidação, a diretoria do Sindiscose reafirma que manterá sua postura vigilante e que o processo investigativo policial não impedirá o sindicato de continuar exigindo lisura e transparência nos conselhos de fiscalização profissional em Sergipe.



